Nota de Esclarecimento Sobre o Rastreamento do Câncer De Mama

O Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, a Federação Brasileira de Associações de Ginecologistas e Obstetras, a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica divulgaram uma nota conjunta sobre o rastreamento do câncer de mama. O objetivo é esclarecer os médicos e a população sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, ainda na fase assintomática, o que aumenta significativamente as chances de cura da doença. Confira a nota:

 Nota de Esclarecimento Sobre o Rastreamento do Câncer De Mama

O objetivo do rastreamento é detectar o câncer de mama assintomático, no seu início, antes que ele dissemine para outros órgãos, aumentado as chances de cura com o tratamento adequado. A detecção precoce associada aos avanços do tratamento sistêmico é responsável por dois terços da redução da mortalidade pela doença em países desenvolvidos [1]. A mortalidade em países desenvolvidos está em queda desde os anos 90 [2] e no Brasil encontra-se em elevação nesse período [3].

Diversos estudos mostram que o rastreamento mamográfico entre 40 e 50 anos reduz a mortalidade pelo câncer de mama nessa faixa etária. Essa redução foi estimada em 25% no estudo Age Trial [4]. Além disso, o rastreamento a partir dos 40 anos apresenta uma razão especial no Brasil, onde cerca de 40% das mulheres com câncer de mama têm menos do que 50 anos [5,6]. Com esses fatos não deveria haver dúvida de que é necessário rastrear mulheres entre 40 e 50 anos, em qualquer lugar, mas especialmente no Brasil. Essas mulheres não merecem ser desconsideradas e abandonadas.

No Brasil, deveríamos nos preocupar em expandir cada vez mais o rastreamento mamográfico, que é deficitário, mesmo para a população entre os 50 e 69 anos. A cobertura mamográfica para esse segmento na Saúde Suplementar (SS) é de 58,1% comparada com 26,3% no Sistema Único de Saúde (SUS) [7]. Na rede pública, somente 23% dos cânceres são detectados pela mamografia e apenas 18,5% são diagnosticados no estádio I [8]. Na rede privada, onde a cobertura mamográfica é mais ampla, 53% são detectados pela mamografia, antes de apresentar sintomas, e 40,6% são diagnosticados no estádio I [8]. No SUS, em 2021, 52% das pacientes foram diagnosticadas em estágio III localmente avançado, na SS essa taxa foi de 36,4% no mesmo período [9]. Gerar incertezas entre as mulheres, pode reduzir a participação no rastreamento e agravar a situação acima.

O rastreamento mamográfico não é perfeito, mas seus benefícios superam quaisquer dos seus potenciais problemas. Por essa razão, o Colégio Brasileiro de Radiologia, a Sociedade Brasileira de Mastologia, a Federação Brasileira de Associações de Ginecologistas e Obstetras e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica defendem fortemente o rastreamento mamográfico anual para todas as mulheres a partir dos 40 anos [9,10], inclusive no SUS conforme garantido pela lei n° 14.335 de 2022

1 – Welch HG, Prorok PC, O’Malley AJ, Kramer BS. Breast-Cancer Tumor Size, Overdiagnosis, and Mammography Screening Effectiveness. N Engl J Med. 2016;375(15):1438-1447.

2- Lima SM, Kehm RD, Terry MB. Global breast cancer incidence and mortality trends by region, age-groups, and fertility patterns. EClinicalMedicine. 2021 Jul 7;38:100985.

3- ttps://observatoriodeoncologia.com.br/indicadores-de-cancer-de-mama/

4- Duffy SW, Vulkan D, Cuckle H, et al. Effect of mammographic screening from age 40 years on breast cancer mortality (UK Age trial): final results of a randomised, controlled trial. Lancet Oncol. 2020;21(9):1165-1172.

5- Simon SD, Bines J, Werutsky G, et al. Characteristics and prognosis of stage I-III breast cancer subtypes in Brazil: The AMAZONA retrospective cohort study. Breast. 2019;44:113-119

6 – Rahal RMS, Rocha ME, Freitas-Junior R, et al. Trends in the Incidence of Breast Cancer Following the Radiological Accident in Goiânia: A 25-Year Analysis. Asian Pac J Cancer Prev. 2019;20(12):3811-3816. Published 2019 Dec 1. doi:10.31557/APJCP.2019.20.12.3811

7 – da Silva SM, Peixoto JE, Aduan FE, et al. Two national mammography quality certification programs in Brazil: Framework and main outcomes between 2017 and 2021. J Cancer Policy. 2023 Aug 24;38:100437.

8 – Rosa DD, Bines J, Werutsky G, et al. The impact of sociodemographic factors and health insurance coverage in the diagnosis and clinicopathological characteristics of breast cancer in Brazil: AMAZONA III study (GBECAM 0115). Breast Cancer Res Treat. 2020;183(3):749-757

9- Freitas-Junior R, Rocha AFBM, Couto HL, et al. COVID-19 and Breast Cancer Diagnosis in Brazil: An Analogy to the Sinking of the Titanic. JCO Glob Oncol. 2023 Jun;9:e2300108.

10 – Urban LABD, Chala LF, de Paula IB, et al. Recommendations for breast cancer screening in Brazil, from the Brazilian College of Radiology and Diagnostic Imaging, the Brazilian Society of Mastology, and the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations. Radiol Bras. 2023;56(4):207-214

11 – Urban LABD, Chala LF, Paula IB, et al. Recommendations for the Screening of Breast Cancer of the Brazilian College of Radiology and Diagnostic Imaging, Brazilian Society of Mastology and Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Association. Rev Bras Ginecol Obstet. 2023 Aug;45(8):e480-e488

Atenciosamente,

Comissão Nacional de Mamografia

(Fonte: Cremego)

Facebook
Twitter
LinkedIn